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EUA recuam parcialmente em guerra comercial, mas China cobra fim total das tarifas

EUA recuam parcialmente em guerra comercial, mas China cobra fim total das tarifas

No sábado, os Estados Unidos anunciaram que isentariam produtos tecnológicos de novas tarifas de importação, marcando um recuo significativo na escalada da guerra comercial com a China. No entanto, autoridades chinesas consideraram a medida insuficiente e pediram ao presidente Donald Trump que cancele completamente as tarifas impostas ao país.

O apelo foi feito após o anúncio de Trump, na semana passada, de uma pausa de 90 dias em diversas tarifas globais. Ao mesmo tempo, ele aumentou para 145% as tarifas sobre as importações chinesas. Em resposta, o Ministério do Comércio da China divulgou neste domingo (13/4) um comunicado pedindo que os EUA “corrijam seus erros”, eliminem as “tarifas recíprocas” e retomem o caminho do “respeito mútuo”.

A concessão mais recente do governo Trump foi anunciada na sexta-feira (11/4), quando os EUA comunicaram que produtos como smartphones, computadores e semicondutores estariam isentos da tarifa de 125%. A decisão foi vista como um alívio para gigantes da tecnologia e consumidores que temiam alta nos preços.

Apesar disso, o Ministério chinês classificou o gesto como um “pequeno passo” e informou que Pequim ainda está avaliando os impactos da decisão. A medida foi publicada discretamente pela alfândega americana, que listou códigos isentos de tarifas — entre eles, o “8517.13.00.00”, que representa smartphones, principal item de exportação chinesa para os EUA em valor no ano anterior.

A mudança surpreendeu, especialmente após declarações recentes do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sobre o desejo de repatriar a produção de iPhones para território americano. Cerca de 80% dos iPhones vendidos nos EUA são fabricados na China, segundo a consultoria tecnológica Counterpoint.

Para o editor de Economia da BBC, Faisal Islam, essa concessão representa “um recuo significativo” dos EUA na disputa comercial. De acordo com a Capital Economics, quase um quarto das exportações chinesas agora está isento da tarifa de 125%, e a tarifa universal de 10% está cheia de exceções — muitas delas aplicadas a países com grandes superávits na indústria de eletrônicos.

Sem diálogo à vista

Apesar da recente flexibilização, ainda não há previsão de conversas diretas entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Questionado no sábado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que “no momento, não há planos” para uma reunião entre os líderes.

A escalada da guerra tarifária tem sido intensa. Trump iniciou o mês de abril com uma tarifa de 54% sobre produtos chineses, elevando-a para 145%. Em resposta, a China aplicou tarifas de 34%, depois 84%, e finalmente 125%, alíquota que entrou em vigor no sábado.

O governo chinês já afirmou que está disposto a “lutar até o fim” caso os EUA insistam na guerra tarifária. Durante uma visita a Miami, no fim de semana, Trump disse que mais detalhes sobre as isenções seriam divulgados no início da semana seguinte.

A Casa Branca tem defendido o uso de tarifas como instrumento de negociação, alegando que a estratégia busca corrigir desequilíbrios no comércio internacional e repatriar empregos e indústrias para os Estados Unidos. No entanto, analistas alertam que as medidas vêm causando instabilidade nos mercados financeiros e podem levar a uma retração no comércio global, com impactos em cadeias produtivas, empregos e economias ao redor do mundo.

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