O grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, anunciou um cessar-fogo unilateral a partir desta terça-feira (4) no leste da República Democrática do Congo (RDC), enquanto aguarda as negociações previstas para o próximo fim de semana. A decisão foi comunicada em um pronunciamento na noite de segunda-feira (3), em que o M23 alegou motivos “humanitários” para a suspensão das hostilidades.
Na semana passada, o grupo rebelde, em conjunto com as tropas ruandesas, assumiu o controle da cidade de Goma, a capital da província de Kivu do Norte. Apesar da aparente cessação dos combates na cidade, enfrentamentos continuam a ser registrados na província vizinha, Kivu do Sul. O M23 afirmou que não pretende avançar para Bukavu, a capital de Kivu do Sul, nem outras localidades da região, apesar de ter sinalizado anteriormente sua intenção de seguir em direção à capital do país, Kinshasa.
O conflito tem causado um grande número de vítimas. De acordo com um balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros, ao menos 700 pessoas morreram e 2.800 ficaram feridas desde que os confrontos se intensificaram no país. Na segunda-feira (3), equipes da Cruz Vermelha congolesa foram vistas enterrando os corpos das vítimas no cemitério, em um esforço para lidar com a crescente quantidade de mortos.
A região leste do Congo, rica em recursos naturais como ouro, tântalo e estanho, que são essenciais para a produção de baterias e aparelhos eletrônicos, tem sido um ponto estratégico e disputado por diversos grupos armados. O governo da RDC acusa Ruanda de buscar o saque dos recursos naturais da região, uma alegação negada pelo governo ruandês, que afirma que sua principal preocupação é a segurança, com foco na erradicação de grupos armados, incluindo aqueles formados por ex-funcionários hutus responsáveis pelo genocídio tutsi de 1994.








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