Um levantamento do Ministério da Saúde revela que o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 449 milhões em 2024 com atendimento a vítimas de acidentes de trânsito .Esse valor expressivo reflete a crescente demanda por internações, cirurgias, reabilitação e procedimentos hospitalares relacionados a sinistros nas rodovias e vias urbanas.
Os números se tornam ainda mais preocupantes diante da extinção do seguro obrigatório DPVAT, que anteriormente cobria despesas médicas, invalidez e morte decorrentes de acidentes. Sem essa cobertura, a conta passou integralmente para os cofres públicos, agravando o rombo no orçamento da saúde pública.
Em entrevista recente, especialistas alertaram que os recursos do SUS destinados a vítimas de trânsito já representavam apenas 1% do orçamento total, mas tinham grande impacto na disponibilidade de leitos e na gestão hospitalar EPSJV Fiocruz. Sem o DPVAT, essas despesas agora competem diretamente com investimento em ações preventivas, atenção básica e expansão de serviços de saúde.
Dados compilados entre 2015 e 2024 apontam que o SUS realizou 1,8 milhão de internações por acidentes de trânsito, totalizando R$ 3,8 bilhões em custos hospitalares diretos .No mesmo período, ocorreu um aumento de 44% no número de internações, passando de 157.602 em 2015 para 227.656 em 2024.
O perfil das vítimas reforça a necessidade de atuação preventiva: mais de 60% das internações foram de motociclistas. Ademais, homens jovens são os mais afetados: cerca de 78% dos acidentados eram do sexo masculino.
O cenário levou o governo federal a retomar debates sobre a recriação do seguro obrigatório — agora chamado SPVAT — ainda sem efeito. A proposta enfrenta resistência e foi revogada ao final do ano passado, durante medidas de contenção fiscal
Especialistas afirmam que sem o DPVAT, o SUS arca com custos crescentes, comprometendo investimentos e exigindo ações coordenadas para prevenção de acidentes.








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