A duplicação da rodovia Rio-Santos (SP-055), entre Caraguatatuba e Ubatuba, tem gerado preocupação e mobilização entre moradores, comerciantes e frequentadores do Litoral Norte de São Paulo. A principal reivindicação é por um novo traçado para a obra, que evite impactos diretos na orla das praias de Massaguaçu (Caraguá), Maranduba e Praia Grande (Ubatuba).
A obra, anunciada pelo Governo do Estado e projetada pela Concessionária Tamoios, prevê duplicações em trechos sensíveis à erosão e de grande valor turístico. O atual projeto, divulgado no fim de 2023, inclui pistas duplicadas com ciclofaixas e travessias muito próximas da faixa de areia. Em Massaguaçu, por exemplo, a proposta contempla canteiro central e quiosques instalados nas travessias, o que, segundo os moradores, pode intensificar o processo de erosão e dificultar o acesso à praia.
A comparação com o Contorno Sul da Tamoios, construído fora da orla para preservar áreas ambientais e turísticas em São Sebastião, é constante entre os manifestantes. “Não somos contra a duplicação, mas sim contra um traçado que destrói nossas praias e o turismo local. Queremos ser ouvidos”, afirmam os organizadores da mobilização nas redes sociais.
Mobilização popular
Em resposta ao projeto atual, um protesto foi marcado para o dia 23 de abril, com concentração às 16h30 no Centro Comunitário do Alto do Jetuba, em Caraguatatuba. Os manifestantes seguirão em caminhada até o canteiro de obras no trevo do bairro Jetuba, levando o lema: “Duplicação somente dialogando com a população”.
Riscos ao turismo e ao comércio
Além do risco ambiental, comerciantes locais alertam para os impactos econômicos que a obra pode gerar. Eles temem a redução do fluxo turístico, o que comprometeria o sustento de muitas famílias da região. “Se afastar os visitantes, nosso comércio morre junto com a praia”, relatam.
Projeto ainda está em fase de ajustes
A duplicação da Rio-Santos prevê a modernização de cerca de 45 quilômetros da rodovia, entre Caraguatatuba e Ubatuba. Segundo a Concessionária Tamoios, trata-se de uma obra de engenharia complexa, com investimento inicial de R$ 12,5 milhões apenas para os estudos. A empresa informou que o projeto ainda poderá passar por ajustes antes da execução.
Moradores esperam que esses ajustes considerem as sugestões das comunidades locais e que o diálogo seja priorizado. A proposta defendida por eles é de que o novo traçado siga por trás dos bairros, afastado da orla, como já foi feito em outras cidades da região.








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