O setor público consolidado — que inclui governo federal, estados, municípios e estatais — registrou um déficit primário de R$ 18,97 bilhões em fevereiro de 2025, o equivalente a 1,96% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pelo Banco Central.
Apesar do resultado negativo, houve melhora significativa em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o déficit foi de R$ 48,7 bilhões (3,19% do PIB). Foi o melhor desempenho para um mês de fevereiro desde 2022, quando houve superávit de R$ 3,5 bilhões (0,46% do PIB).
O que é déficit primário?
Déficit primário ocorre quando as receitas do governo com impostos e tributos são menores do que as despesas, desconsiderando os juros da dívida pública. Quando o contrário acontece, o resultado é chamado de superávit primário.
Desempenho por esfera de governo:
- Governo federal: déficit de R$ 28,5 bilhões
- Estados e municípios: superávit de R$ 9,2 bilhões
- Empresas estatais: déficit de R$ 300 milhões
Principais influências no resultado
A melhora em relação a 2024 se deve, principalmente, à ausência de pagamentos de precatórios em fevereiro de 2025. No ano passado, esses pagamentos somaram R$ 30,8 bilhões no mesmo mês.
Segundo o Tesouro Nacional, a diferença foi causada por mudanças no cronograma de pagamentos, além do atraso na sanção do Orçamento de 2025, que limita os gastos mensais a 1/12 da dotação orçamentária. O governo, no entanto, informou que está operando com um limite ainda menor: 1/18 por mês.
O Orçamento foi aprovado pelo Congresso apenas em 20 de março e ainda aguarda sanção presidencial, que deve ocorrer até sexta-feira (11). O prazo final é 15 de abril.
Resultado nominal e impacto dos juros
Considerando os juros da dívida pública, o chamado resultado nominal do setor público apresentou déficit de R$ 97,2 bilhões em fevereiro.
No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit nominal chegou a R$ 939 bilhões, ou 7,9% do PIB.
Desse total, R$ 924 bilhões correspondem ao pagamento de juros nominais (7,8% do PIB).
Esse número é importante porque é monitorado pelas agências de classificação de risco, que avaliam a credibilidade financeira dos países e influenciam a decisão de investidores estrangeiros.







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