O dólar segue em alta nesta segunda-feira (24), impulsionado pela expectativa de um anúncio de novas tarifas de importação por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, programado para o dia 2 de abril. Por volta das 10h30, a moeda americana estava cotada a R$ 5,74, com máxima de R$ 5,77. Na última sexta-feira (21), o dólar fechou com alta de 0,73%, a R$ 5,7171, acumulando uma queda de 0,46% na semana, mas com perdas de 3,37% no mês e 7,49% no ano.
A possível implementação de tarifas mais altas pelos EUA gerou preocupações no mercado, especialmente porque essas taxas poderiam impactar setores chave da economia brasileira, como as indústrias de máquinas e aviões, que são grandes exportadoras para os Estados Unidos. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil não representa um problema para os EUA, já que existe um superávit comercial favorável para os americanos. No entanto, o mercado está receoso de que a medida possa afetar a atividade econômica brasileira, com a redução das exportações.
De acordo com informações da Bloomberg, Trump deverá anunciar tarifas mais direcionadas a determinados países e blocos econômicos, mas regiões com superávit comercial com os EUA podem ser poupadas dessas taxas. A principal preocupação é que tarifas elevadas possam aumentar os preços de bens e serviços nos Estados Unidos, o que resultaria em maior inflação e diminuição do consumo, afetando negativamente a maior economia do mundo.
Além disso, o aumento das tarifas pode desencadear uma nova onda de tensões comerciais globais e afetar a confiança dos investidores. Isso tem levado o mercado a buscar ativos considerados mais seguros, como os títulos do governo americano (Treasuries), o que eleva o valor do dólar e impacta negativamente moedas de países emergentes, como o real.
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, operava em baixa, com queda de 0,40%, aos 131.811 pontos, após registrar alta de 0,30% na sexta-feira (21). O mercado está monitorando de perto as movimentações de Trump, assim como as decisões do Banco Central do Brasil (BC), que recentemente elevou a taxa Selic a 14,25% ao ano, e os dados de inflação nos EUA.
No Brasil, o BC também divulgou o novo Boletim Focus, com redução nas expectativas para a inflação de 2025, que passou de 5,66% para 5,65%. Apesar da leve queda, a inflação ainda deve terminar o ano acima da meta estabelecida pelo governo. Além disso, as previsões para o crescimento do PIB em 2025 também foram revisadas para baixo, caindo de 1,99% para 1,98%.
O cenário de incertezas fiscais e políticas nos EUA, somado às expectativas de novas tarifas, mantém os mercados globais em alerta, com reflexos em várias economias, incluindo a brasileira.








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