A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre um esquema bilionário de fraudes envolvendo bancos e fintechs, revelado pela Operação Concierge. Nesta quarta-feira (29), a operação resultou na prisão de 14 pessoas e no cumprimento de 60 mandados de busca e apreensão. O esquema investigado envolve a lavagem de dinheiro e a blindagem patrimonial de facções criminosas e empresas devedoras à Receita Federal.
Bancos em Foco
A PF investiga se os bancos Rendimento e Bonsucesso (hoje BS2) foram coniventes com o esquema criminoso. De acordo com a polícia, as fintechs teriam utilizado esses bancos para criar mecanismos de lavagem de dinheiro e ocultação de ativos. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que essas instituições financeiras permitiram a utilização de suas contas para operações não autorizadas, facilitando a sonegação fiscal e a movimentação de recursos ilegais sem controle adequado.
Banco Rendimento
O Banco Rendimento, com sede em São Paulo (SP), é acusado de ajudar a fintech T10 Bank na ocultação de dinheiro. A investigação revelou que o banco teria criado uma “conta bolsão” para movimentar grandes quantias de dinheiro de forma não rastreável. Após o atraso na resposta a uma solicitação judicial, a PF realizou buscas na instituição e encontrou evidências que sugerem a participação do banco nas fraudes.
Banco Bonsucesso (BS2)
O Banco Bonsucesso, atualmente conhecido como BS2, é suspeito de operar o esquema de lavagem de dinheiro da fintech Inovepay. Segundo a investigação, a Inovepay movimentou R$ 7 bilhões entre 2019 e 2023 através do BS2, com várias transações suspeitas. O banco é acusado de não comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) as transações irregulares, o que agravou a situação.
Resposta dos Bancos
O Banco Rendimento afirma que segue todas as regulamentações do Banco Central e que não presta mais serviços para a T10 Bank. O BS2 nega irregularidades e afirma que já fez reportes sobre a Inovepay ao COAF, além de ressaltar que nenhuma das empresas investigadas tinha conta com eles.
O Esquema de Fraude
O esquema envolvia a utilização de contas de fintechs em bancos comerciais para ocultar transações de clientes. As fintechs usavam contas como pessoa jurídica para movimentar dinheiro, tornando difícil rastrear as transações individuais dos clientes e permitindo a continuidade de atividades ilegais. Entre 2020 e 2023, as fintechs investigadas movimentaram cerca de R$ 3,5 bilhões.
Operação Concierge
A Operação Concierge revelou a conexão entre as fintechs investigadas e facções criminosas, incluindo o tráfico de drogas e a empresa de ônibus UPBus, associada ao PCC. As prisões e apreensões realizadas em Campinas, São Paulo e outras cidades incluíram veículos de luxo, joias e equipamentos eletrônicos, que serão periciados.
Os investigados enfrentam acusações de gestão fraudulenta, operação de instituições financeiras não autorizadas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, e organização criminosa. O nome da operação, “Concierge”, alude ao papel das fintechs em oferecer serviços clandestinos para ocultar capitais.
A investigação continua, e a Justiça já bloqueou R$ 850 milhões em contas associadas à organização criminosa.








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