Lula Reitera Desejo por Relação Respeitosa com a Argentina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou, em entrevista às agências internacionais Reuters, Bloomberg, Associated Press, EFE, AFP e Xinhua, que espera uma “relação civilizada” com o presidente da Argentina, Javier Milei. Lula, que deu a entrevista na segunda-feira (22), também reiterou a necessidade de um pedido de desculpas de Milei ao Brasil.
Durante a entrevista, Lula enfatizou que não está preocupado com o discurso de Milei, mas sim com o respeito mútuo entre os países. “Ele seja o que ele quiser. Eu só quero que ele tenha respeito pelo Brasil, da mesma forma que o Brasil tem respeito pela Argentina”, afirmou Lula.
Milei e Lula: Pedido de Desculpas Ainda Pendente
Questionado sobre se já conversou diretamente com Milei, Lula respondeu que não, mencionando apenas um breve cumprimento durante a reunião do G7 na Itália. “Eu não falei com ele. Não, ele passou por mim na reunião do G7 e me cumprimentou. Eu estava até de costas. Eu estava conversando com o meu pessoal. Eu vejo que eu não tenho nenhum problema”, disse Lula.
Apesar disso, Lula reforçou a necessidade de um pedido de desculpas por parte de Milei devido a declarações feitas durante a campanha eleitoral do ano passado, quando o argentino chamou Lula de “comunista” e “corrupto”.
Relacionamento com a Nicarágua: Tentativas de Diálogo Frustradas
Lula também comentou sobre a situação na Nicarágua e suas tentativas de diálogo com o presidente Daniel Ortega. Atendendo a um pedido do Papa Francisco, Lula tentou conversar por telefone com Ortega sobre a prisão de padres no país, mas não obteve resposta.
“A Nicarágua, veja, virou um problema não para outros países, virou um problema para a Nicarágua. Faz tempo que eu não converso com o Daniel Ortega, porque quando eu fui conversar com o Papa Francisco, o Papa Francisco pediu para eu conversar com o Daniel Ortega sobre um bispo que estava preso lá. O dado concreto é que o Daniel Ortega não atendeu o telefonema e não quis falar comigo”, revelou Lula.
Contexto Político na Nicarágua
Daniel Ortega está no poder desde 2017, e as últimas eleições foram marcadas pela prisão de sete candidatos da oposição e alegações de fraude por parte de organizações internacionais. Torturas foram registradas durante o período eleitoral pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Ortega, apoiado pelos governos de Cuba e Venezuela, descreveu essas acusações como “invenções” e acusou os bispos do país de “tomar partido” e estarem comprometidos com os “golpistas”.
Lula relembrou sua visita à Nicarágua para celebrar o primeiro aniversário da revolução sandinista em 1979, questionando as motivações de uma revolução: “Mas você faz uma revolução para quê? Faz uma revolução porque você quer o poder ou você faz uma revolução porque você quer melhorar a vida do povo do seu país? É isso que está em jogo”, afirmou Lula.







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