Após mais de três décadas atrás das grades, Lyle e Erik Menéndez, condenados pelo assassinato dos próprios pais em 1989, comparecerão ao tribunal de Los Angeles nesta quinta (17) e sexta-feira (18), buscando a revisão de suas penas de prisão perpétua.
O caso dos irmãos chocou os Estados Unidos e ganhou grande repercussão midiática, sendo tema de séries, documentários e livros. Na noite de 20 de agosto de 1989, os policiais de Beverly Hills encontraram os corpos de José e Kitty Menéndez, brutalmente assassinados a tiros de espingarda em sua mansão. O crime abalou o país não apenas pela violência, mas por ter como autores os próprios filhos do casal.
Na época, Erik tinha 18 anos e Lyle, 21. Eles não foram considerados suspeitos inicialmente, mas levantaram desconfiança ao passarem a ostentar um estilo de vida luxuoso com a herança deixada pelos pais. A confissão de Erik a seu psicólogo, posteriormente gravada e repassada às autoridades, foi crucial para a condenação.
O julgamento, iniciado em 1993 e televisionado ao vivo, trouxe à tona relatos de abusos físicos, psicológicos e sexuais cometidos por José Menéndez contra os filhos, supostamente com o conhecimento da mãe, Kitty. Os irmãos afirmaram ter vivido anos de violência e ameaças constantes.
Embora o primeiro julgamento tenha sido anulado, o segundo, em 1996, culminou na sentença de prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Após 22 anos detidos em prisões separadas, Lyle e Erik se reencontraram em 2018, passando a cumprir pena na mesma unidade.
A história voltou a ganhar atenção pública com o lançamento da série da Netflix “Monstros: Irmãos Menendez – Assassinos dos Pais”, estrelada por Javier Bardem, Chloë Sevigny, Cooper Koch e Nicholas Alexander Chavez.
Impulsionado por novas evidências apresentadas pela defesa em 2023 — incluindo uma carta de Erik detalhando os abusos —, o caso passou a ser reavaliado. A promotoria de Los Angeles reconheceu que o sistema de justiça hoje tem uma compreensão mais aprofundada sobre violência sexual e recomendou a reavaliação da sentença.
O promotor George Gascón sugeriu que a pena de prisão perpétua sem condicional seja substituída por uma de “50 anos a perpétua”, o que permitiria aos irmãos solicitar liberdade condicional. “Acredito que eles já pagaram sua dívida com a sociedade”, declarou Gascón.
A decisão do tribunal poderá abrir caminho para uma possível libertação dos irmãos Menéndez, marcando um novo capítulo em um dos casos criminais mais polêmicos da história dos Estados Unidos.








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